Uma Pesquisa da Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Espírito Santo identificou três tipos de usuários que utilizam materiais de construção sustentáveis em suas obras e verificou o mercado desses produtos no Espírito Santo, apurou a Revista Sustentabilidade.
O estudo, conduzido por Márcia Bissoli, professora do Departamento de Arquitetura da Universidade Federal do Espírito Santo (DAU-UFES) se baseou na oferta de materiais de construção verdes no mercado em diversas cidades capixabas e visitou obras construídas para verificar o perfil de seus proprietários e identificar quais produtos são comprados.
Como resultado, três tipos de usuários foram identificados: os "ambientalmente conscientes", os "criativos por necessidade" e os "ambientalmente chiques".
Os "ambientalmente conscientes", integram o grupo das pessoas que usam materiais alternativos, simples e recicláveis por opção, em construções geralmente empreendidas em áreas afastadas dos centros urbanos. Para estes usuários, o poder aquisitivo não influencia na opção do uso dos materiais, que são em sua maioria o eucalipto tratado, as telhas produzidas a partir de materiais reciclados, pneus inservíveis usados para jardinagem, além de vidros reaproveitados e cacos de cerâmica e cascalho usados para revestimento.
O segundo grupo de usuários identificado pela pesquisa são os "criativos por necessidade", pessoas que usam os materiais verdes como uma alternativa aos convencionais, por falta de acesso à elas. Geralmente são moradores de áreas de risco ou pessoas de menor poder aquisitivo.
Os principais materiais utilizados por esse perfil são resíduos de madeira, que servem para o revestimento de pisos e paredes porém necessitam ser trocados a cada 3 meses e cacos de cerâmica e tampinhas de garrafas para revestimentos de pisos e paredes.
Um terceiro perfil identificado foi o dos "ambientalmente chiques", aqueles que adotam o uso de materiais reciclados, produzidos em escala industrial, por terem uma percepção de que esses materiais estão na moda. Entre seus materiais preferidos estão a madeira de demolição, as pastilhas de coco e a madeira plástica.
O trabalho destaca também que a escolha dos materiais verdes deve seguir algumas recomendações, como aproveitar a mão-de-obra local, contratar profissionais técnicos capacitados a orientar adequadamente os moradores em suas intervenções físicas na moradia e fazer uso de produtos e tecnologias sustentáveis durante as diversas etapas da obra.
Os resultados indicam que o desconhecimento dos materiais verdes por arquitetos e consumidores é um dos maiores gargalos para que eles sejam aplicados em larga escala no Espírito Santo. Segundo o estudo, grande parte dos produtos são aplicados em obras destinadas ao uso comercial, o que, de acordo com os pesquisadores, está relacionado ao apelo ecológico e ao marketing.
O Que é Selo Verde
É a denominação mais comum para a marca do Forset Stewardship Council, o FSC. Esse selo pode ser reconhecido internacionalmente pelos consumidores de madeira e produtores derivados, como móveis e estruturas para a construção civil. Desta forma o comprador pode ter certeza que adquiriu um produto que não agride as florestas tropicais.O Selo verde surgiu a partir da crescente preocupação ambiental dos consumidores, principalmente do mercado europeu. Foi quando governos e organizações não governamentais (ONGs) de vários países formularam um conjunto de normas para regular o comércio de produtos provenientes das florestas tropicais através de acordos internacionais. Ficou definido que as madeireiras que possuem o selo verde deveriam comercializar apenas produtos retirados das florestas de forma ambientalmente correta e enquadrados em um plano de manejo certificado por organismos internacionalmente reconhecidos, como o FSC.
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